domingo, 10 de junho de 2012


Cada pedacinho minúsculo desse lugar é composto de melancolia,
Aqui os pássaros cantam tranquilos enquanto a cidade amanhece calmamente transpirando bem estar e calmaria,
Há dias frios e chuvosos, mas eles são esteticamente perfeitos com a infinidade de praças verdes que dizem, na sutileza, o quanto a natureza é esplêndida.

De madrugada, quando os homens “bons” já dormem,
Existe apenas vazio e iluminação,
Que contrastam com as numerosas corujas que convivem pacificamente com todos os homens que estão ali, justamente, parar aspirar à natureza.

Contudo, os idosos se procriam enquanto os jovens morrem dentro de si mesmos,
As famílias diminuem em sua quantidade, mas continuam sempre satisfeitas com a busca infinita por uma pacata sagacidade enquanto as crianças crescem como dizem os bons livros, livres e regradas, criadas apenas para serem tão regradas e retraídas como os seus pais.

Daqui eu não possuo mais nada,
Só esse, frequente, silêncio.

E a mim, ela não expele nem acolhe,
Apenas me olha como sempre,
Simpática com a condição de que eu não mude, em instante algum, a sua tão sagrada rotina.


                                                           Scient, SJC/SP

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Quer saber a verdade?
Eu estou morto.
Me suicidei há muito tempo aqui dentro de mim.
Já não suporto existir, é cada dia mais difícil e mais triste.
Ando sobre a neblina dos dias e não existe uma única noite que eu me deite que eu não tenha desejado, em algum momento do dia, a minha completa finitude.
Saio pelas ruas desorientado, nada faz sentido, nada me seduz completamente.
Tenho medo de morrer, mas o meu grande pavor é, apenas, o continuar existindo.
Felizes são os homens que se iludem, mas dessa felicidade eu quero apenas o desprezo.
Se não é realidade, para mim, não faz sentido algum.

Por que eu te escrevo?
Por que eu perco o meu tempo se você não virá?
Já vivi e amei o suficiente para não acreditar em ilusões e já não suporto mais isso, essa dor, essa realidade que pulsa na minha mente.
Você nunca esteve e eu duvido que você, um dia, estará.
Por que então você me deixaria aqui sozinho?
Eis a hora.
A grande hora.
A hora do meu grande desespero.
Ele está chegando, cavalgando sobre as minhas inseguranças...

Faz frio, não só lá fora como aqui dentro da minha alma.
O vento e a chuva que caem não atingem meu corpo, mas é como se existisse uma tempestade furiosa dentro do meu peito.
Estou exausto de chorar e já não suporto essa mania que tenho de me dopar a todo instante; porém, quando estou sóbrio o suficiente esse desespero não passa.
A maior mentira que já me contaram foi a de que as substâncias me levariam até o abismo porque elas me fariam, também, atingir a completa satisfação e felicidade.
Pois hoje, após minhas vastas experiências, eu digo que não. A satisfação completa só existiu uma vez dentro de mim e foi causada, apenas, por uma descarga voluntária de paixão.
Pois agora, eu trocaria todas essas drogas por apenas um minuto ao seu lado e nem a ideia da morte me incomodaria, porque eu, de alguma forma, já estaria vivendo a eternidade...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Meu amor, eu preciso confessar que eu sinto medo.
A mortalidade, que nunca me incomodou, se torna cada vez mais assustadora, estamos prestes a morrer a cada instante e de alguma forma é como se estivéssemos por aqui apenas esperando o momento em que isso ocorrerá.
Você já pensou, em meio a uma grande multidão, que ali junto com você, todas aquelas milhares de pessoas também vão ter um fim? Muitas sequer devem voltar para a casa.
E isso as vezes é desesperador e é ainda mais desesperador pensar que eu vou te perder, apesar de eu nem saber ainda se um dia eu chegarei a te conhecer ou te ter.
Oh, como a vida é um jogo de incertezas e de vazio e como eu sinto uma falta terrível quando desperto nessas manhãs que são quase frias.
Penso em todas amantes que tive e que tenho e sei que eles perderão todo o sentido quando eu, finalmente, te tocar.
Porém, eu já amei e vivi o suficiente para saber que assim como a felicidade, o amor é questionável e, se realmente existe, é raro.
Mas as coisas raras precisam acontecer porque senão elas seriam, apenas, impossíveis e por que, então, eu não posso ser o dono dessa sorte?

terça-feira, 5 de junho de 2012

O sol está aqui, é quase inverno, mas mesmo assim ele veio me visitar.
Passei dias tristes, meu bem.
Dias tão escuros que eu era incapaz até de tentar pôr fim a mim mesmo.
Nesses dias eu continuava como sempre, mas terminava todas as noites bêbado e só, chorando sem motivos enquanto sentia o mundo vibrar em mim e a minha alma estremecer.
Ah, como você faz falta, meu grande amor.
Como aqui tudo é vazio sem a sua presença que eu nem sequer sei se chegará.
Tenho muito medo ainda e muito desejo, sou um hedonista, vivo de forma extravagante e exagerada, mas largaria tudo isso pela calmaria de estar, apenas, em seus braços.
Apareça.

Seja lá onde você estiver.


Apareça.