domingo, 19 de agosto de 2012

Viver é estar estagnado.
E não importa em qual nível ou em qual lugar se chegue, a estagnação sempre vai correr atrás de nós como a morte assombra tudo que é vivo.
Andei por caminhos belos e não confusos, descobri grandes prazeres e acreditei que eu, enfim, possuía uma vida satisfatória e repleta de bem estar.
Me enganei, como eu sempre soube que me enganaria.
O homem do abismo jamais deixa o abismo porque a escuridão que há dentro dele é tudo que ele, desde o começo da sua vida, tomava como luz.
E  quando ele se torna capaz de sair para conhecer o mundo ele percebe que a luz é composta de clarão e calor e aquela imensidão de raios que cobre a terra não apenas a clareia, mas também a esquenta.
Esquenta o suficiente para gerar nova vida e também, sometimes, o suficiente para tornar todo o calor insuportável.
E eu ardia com as chamas dessa luz que era tão forte que cozinhava toda a minha alma.
E por isso, ou talvez porque de alguma forma eu ame a dor, eu acordei aqui, tremendo de frio e de escuridão.
Sem saber mais nada além de que eu jamais vou possuir algo ou alguém.

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