Viver é estar estagnado.
E não importa em qual
nível ou em qual lugar se chegue, a estagnação sempre vai correr
atrás de nós como a morte assombra tudo que é vivo.
Andei por
caminhos belos e não confusos, descobri grandes prazeres e
acreditei que eu, enfim, possuía uma vida satisfatória e repleta
de bem estar.
Me enganei, como eu sempre soube que me enganaria.
O homem do abismo jamais
deixa o abismo porque a escuridão que há dentro dele é tudo
que ele, desde o começo da sua vida, tomava como luz.
E quando ele se
torna capaz de sair para conhecer o mundo ele percebe que a luz é composta de
clarão e calor e aquela imensidão de raios que cobre a terra não apenas a
clareia, mas também a esquenta.
Esquenta o suficiente para gerar nova vida e também,
sometimes, o suficiente para tornar todo o calor insuportável.
E eu ardia com as chamas dessa
luz que era tão forte que cozinhava toda a minha alma.
E por isso, ou talvez porque
de alguma forma eu ame a dor, eu acordei aqui, tremendo de frio
e de escuridão.
Sem saber
mais nada além de que eu jamais vou possuir algo
ou alguém.
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