Há um vazio em mim.
Um vazio como todos os outros que já cresceram dentro do meu corpo, daqueles que me sufocam, justamente, com a sua transbordante ausência.
O mundo ainda é fantástico, respirar ainda é tão milagroso quanto as vezes em que eu me senti dominado por tanta alegria que eu esqueci da existência do tempo. Mas isso, agora, não passa de percepção, porque aqui em minha mente as coisas não são nada além de coisas.
E se você estivesse aqui?
Penso nesse amor que não tenho e percebo o quanto de amor que eu tenho e que eu deixo escapar pelas minhas mãos por eles já serem tão comuns que se tornaram imperceptíveis.
Se as grandes paixões fossem mesmo tão importantes, jamais seria possível abandoná-las.
O amor verdadeiro não existe, é apenas mera criação; mas existem essas relações que são tão fortes que transcendem tudo. Como aquele de quem, normalmente, te gera.
Nessa noite eu não queria estar nu, sobre um corpo perfeito, sentindo a paixão dominar meu corpo e me levar até o céu que não existe.
Eu queria apenas estar deitado, com minhas velhas roupas, abraçado sobre o corpo antigo da mulher que desde o começo esteve comigo.
Sem palavras, sem questionamentos e sem alegrias passageiras.
Como um feto.
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